Setor naval em Manaus dispara com demanda do agronegócio e atinge crescimento de até 741%

Faturamento do setor naval cresce mais de 700% em Manaus e se consolida como peça-chave para o escoamento da safra recorde de grãos do Centro-Oeste - Com 14 estaleiros ativos e mais de 2,7 mil empregos gerados, o polo naval manauara lidera nacionalmente a produção de balsas para navegação interior - Produtos como balsas, empurradores e embarcações de alumínio abastecem grandes armadores e portos logísticos da Amazônia, como Super Terminais e Chibatão

Setor naval em Manaus dispara com demanda do agronegócio e atinge crescimento de até 741%
Faturamento do setor naval cresce mais de 700% em Manaus

O setor naval da Zona Franca de Manaus (ZFM) registrou em janeiro de 2025 um crescimento impressionante de 741% no faturamento em relação a dezembro, segundo dados do Painel Econômico do Amazonas (PEA), levantamento mensal do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). O avanço de 405% em relação a janeiro de 2024 também destaca o setor como um dos mais dinâmicos da indústria amazonense neste início de ano.

A guinada é impulsionada pela crescente demanda do agronegócio do Centro-Oeste brasileiro, especialmente pela soja. A safra de 2025 deve bater recorde histórico, com estimativa de 164,4 milhões de toneladas — um aumento de 13,4% em relação ao ano anterior, segundo o IBGE. Parte expressiva dessa produção é escoada por meio de balsas fabricadas no polo industrial de Manaus, que percorrem os rios amazônicos até se conectarem com embarcações maiores rumo ao mercado europeu. “O polo naval da Zona Franca de Manaus mostra como a indústria amazonense pode responder com agilidade às demandas do mercado nacional, agregando inovação logística, geração de empregos e integração com o agronegócio do Centro-Oeste”, afirma Luiz Augusto Rocha, presidente do CIEAM.

Abastecimento estratégico de portos e qualificação com impacto social

Cerca de 14 estaleiros operam hoje no setor naval da ZFM, com destaque para empresas como Bertolini e ERAM. Essas companhias produzem embarcações fundamentais para a navegação interior — como balsas, empurradores e embarcações de alumínio — que abastecem portos estratégicos da região, como Super Terminais e Chibatão, além de atender a grandes armadores internacionais, como Aliança e CMA-CGM. “A indústria naval de Manaus evoluiu de um setor periférico para um elo logístico estratégico, conectando o coração do agronegócio brasileiro às rotas internacionais de exportação. A sazonalidade da safra exige que as embarcações estejam prontas até janeiro, o que explica o pico de produção no início do ano”, destaca o professor André Ricardo Costa, Coordenador da Área de Indicadores do CIEAM e autor do estudo.

Com mais de 2.700 empregos diretos, o setor também se destaca pelo impacto social. Muitas empresas têm adotado práticas de formação de mão de obra, contratando trabalhadores sem qualificação técnica e matriculando-os em cursos de soldagem naval no SENAI. “É um setor que promove inclusão produtiva e geração de renda qualificada, além de responder com agilidade a desafios como a seca na região”, explica Costa.

Balsas, contêineres e soluções para a seca: os motores do crescimento

A produção naval da ZFM está centrada em três tipos principais de balsas: para contêineres, para grãos sólidos (como soja e milho) e para grãos líquidos (como combustíveis). Essas embarcações são adaptadas às particularidades da navegação interior na Amazônia, especialmente nos períodos de estiagem.

O crescimento recente do setor está diretamente ligado à vocação fluvial da região e ao papel cada vez mais estratégico que Manaus assume na cadeia logística do agronegócio nacional. A seca histórica de 2023 e 2024 acentuou a necessidade de reforçar a frota de embarcações de menor calado, capazes de operar mesmo com níveis reduzidos dos rios. Essa demanda acelerou as encomendas e impulsionou a produção nos estaleiros locais, consolidando o setor como um dos protagonistas da retomada industrial da região em 2025.

Sobre o PEA

O Painel Econômico do Amazonas é uma análise da conjuntura econômica do Amazonas elaborada mensalmente pelo CIEAM com base em informações públicas de instituições como IBGE, Suframa, ComexStat e Abraciclo, além de utilizar dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego. O principal dado disponível para análise é o IBCR-AM, número-índice publicado mensalmente pelo Banco Central como versão regionalizada do IBC-Br, a estimativa mensal do PIB brasileiro. O Banco Central compõe o IBCR-AM pelos resultados das pesquisas mensais efetuadas pelo IBGE, incluindo os principais setores da economia: Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária.

Sobre o CIEAM

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) é uma entidade empresarial com personalidade jurídica, ligada ao setor industrial, que tem por objetivo atuar de maneira técnica e política em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM).  Implementada pelo governo federal em 1967, com o objetivo de viabilizar uma base econômica no Amazonas e promover melhor integração produtiva e social entre todas as regiões do Brasil, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento regional bem-sucedido que devolve aos cofres públicos mais da metade da riqueza que produz. Atualmente, são 600 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). O estado do Amazonas tem 546 mil empregos, dos quais 130 mil são diretos do PIM e garantem a preservação de 97% da cobertura florestal do Amazonas. Encerrou 2024 com um faturamento de R$ 204 bilhões.

 

Fonte: Grupo Printer Comunicação

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Via: Luís Celso News

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